Escritos de Rafael Perfeito

segunda-feira, 10 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Maria Freudjânia


Apaixonados os dois dançavam um forrozinho na minúscula sala da quitinete de Antônio Augusto. Ritmo arrastadinho sob voz de Maria Bétânia. Encoxado, ele cochicha risonho aos ouvidos dela:
_ Entrei no Banco do Brasil com 21 anos de idade... cabeludo. Narigudo. Um filho da puta logo me apelidou de Maria Bétânia.
_ Hahahahaha!!!! Minha mãe parece com a Maria Bétânia!!

Ele engasgou.

E ainda dizem que Freud não tinha razão.


domingo, 26 de maio de 2013

Furada!


Antônio Augusto não dava certo com as mulheres e não sabia o por quê. Dessa vez prometera a si mesmo fazer tudo direitinho e já saía com Iltiane há um mês. Sentindo-se feliz e romântico resolveu surpreendê-la com um sábado muito especial. Programou vários eventos. Começaria levando-a ao cinema.

- O que nós vamos assistir? - Ela perguntou, empolgada.
- Nunca saberás - respondeu, jocoso e enigmático.

Iltiane saiu do cinema após os 45 minutos iniciais de jogo. Antônio Augusto a levara ao shopping para assistir Borussia Dortmund x Bayern de Munique, final de futebol da Champions League, com seus 10 amigos hooligans
Ela nem quis saber o que o resto do sábado a reservava.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ateu Comovido



Não tenho medo da morte.
Tenho medo de Deus.
Vai que ele existe...



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Cobogó



Em qual dos buraquinhos
desse cobogó
eu me posicionaria
para te ver melhor?

Cada um tem seus contras
seus prós
e oferecem pontos de vista
sobre um charme só.

Queria ser mil olhos
a se projetarem
teleguiados...
Bem ali!

Ai meu Deus...
em qual dos buraquinhos?




segunda-feira, 15 de abril de 2013

Palavra Câncer


De qual lugar surge a palavra
Antes de chegar à língua...
Percorrendo o caminho inverso
Do que nos dá vida?

A comida vai da boca à cloaca
A palavra, vomitada
Da cloaca à boca é parida.

Veja bem.
O que me alegra
Sai por meu membro rijo
Despejando, vivo
Em uma só pincelada
Todo o regozijo, contido,
Desta minha empreitada.

Ora!
Não há por que escrever
Se meu punho está ocupado
A me dar prazer.

Já o que me enoja
Acabrunha e empalidece
Torna-se o sumo de todo o meu sistema
Nervoso.
Sêmen de toda a minha rede
Neural.

Veneno cultivado no fígado
A que dói mais não é vociferada.
Goteja, lentamente urdida
A bílis por anos engendrada.

Destilada cada gota
Transforma-se em tinta
Cuja caneta é o canal.
Esporro a palavra câncer ao vento
Com o único intento
De me livrar do mal.

sábado, 13 de abril de 2013

Unfasten your Seat Belts!


Unfasten your seat belts
and fascinate yourselves!

Sente na janela e aproveite a vida.
Contemple-a de cima.
Veja o seu passado do alto
como lindas pequenas pessoas
no formigueiro do tempo.

Voe sem rumo
mas com coragem.
Tente aproximar-se do sol.
Pois um dia
depois de apertados os cintos,
quando já flácidos os pintos,
no piloto automático...

P
            U
                          T
                                    A
                                           Q
                                                 U
                                                     E
                                                        P  
                                                          A
                                                            R
                                                              I
                                                              U
                                                              !!!

Na derradeira
verdadeira hora H
só você saberá   s e    c  h  o  r  o  u      ou    se     s                          u.
                                                                              o    r     r     i